sábado, 17 de março de 2012

Duas Caras

A minha ex-irmã tá muito estranha. Não dá pra considerar os restos da Sílvia como um ser humano. Aquilo virou um lixo... É triste, pois tinha tudo pra ser alguém que prestasse.

Já há alguns anos dava pra notar que a minha ex-irmã estava desenvolvendo o transtorno de dupla personalidade.

Por exemplo, pra pedir pra comprar presentes pro Bruno, ela ela filha da minha mãe e ia lá pedir que fosse nas Ughini da vida, nas Lojas França, nas Casa Caça e Pesca.
Mas quando era pra convidar a minha mãe pra participar dessas ocasiões em que os presentes seriam distribuídos, nada.

Quando a minha mãe ficou doente, em agosto do ano passado, a Sílvia não podia ajudar a cuidar dela, mas podia vir uma vez por semana pra pedir dinheiro. E a minha mãe dava, na esperança de que a Sílvia fosse ter gratidão pelo dinheiro e cuidasse dela... Mas não foi assim. A Sílvia só levava o dinheiro, e quem cuidava da minha mãe era eu, o meu marido e a Erica - a moça que contratamos.

Agora que a minha mãe morreu, esse lance de duas-caras piorou!
Agora é duas-caras PROFISSIONAL.

Em tudo quanto é canto, ela se declara casada com o Bruno (Fez até união estável!) pra que ele "participe da herança", segundo ela mesma me disse ontem.
Mas no IPERGS, previdência do estado, ela se declarou solteira pra ficar com o plano de saúde e com um pecúlio em dinheiro, que era o salário da minha mãe.

Pra herdar o que a minha mãe deixou, ela se coloca no primeiro lugar da fila. Pra pagar as despesas de manter os imóveis até o final do inventário, aí ela não sabe de nada, não pode nada (apesar do pecúlio que a solteira com união estável recebe) e nem pensa em colaborar em nada - nem em mão de obra, pra tirar as roupas mijadas que ela deixou no apartamento da minha mãe.

Pra desconfiar de alguém, ela desconfia de mim. Logo eu, que tinha PROCURAÇÃO PLENOS PODERES da minha mãe, instrumento com o qual eu poderia ter passado TUDO que a minha mãe tinha pro meu próprio nome. Qualquer pessoa com o mínimo de cérebro e de alfabetização sabe disso.
Mas não desconfia do Bruno, que MANDOU ela não cuidar da minha mãe enquanto a minha mãezinha não passasse os imóveis que ela tiha pro nome dele.

Coitada da minha mãe.
Li um e-mail que ela dizia pra Sílvia
//Falando sério... será que aquele procedimento antigo de me apresentarem candidatos a namoro, ainda pode existir?
Eu imagino por exemplo o Bruno, conversando com um cara  que o Bruno conheça e ache que gosta de coisas esportivas, Natureza e quer namoro firme... e perguntando se ele quer conhecer uma pessoa(eu) que está a fim de namoro sério...//
e essa minha ex-irmã respondeu
//bruno disse: "leva a gente pra viajar nos lugares chiques por aí, que daí vão nos ver e dizer "que casalzinho lindo!" e vão vir puxar assunto e vão gostar de ti e te namorar."//

É nesses pequenos detalhes que se conhecem as pessoas.
Eu sei que não se comparam nem os dedos das mãos, mas não posso evitar de comparar:

É muito ESTRANHO que um cara que tem mais idade que eu e esteja casado com a minha ex-irmã há tanto tempo quando meu marido e eu estamos casados não tenha construído NADA com ela e esteja fugindo de dar 500 pila por mês pra manter o patrimônio que a minha ex-irmã poderá herdar a metade (poderá, se for mantido)...

Enquanto isso, eu e meu marido CONQUISTAMOS a nossa casa própria, estamos pagando as nossas contas em dia com o NOSSO DINHEIRO, estamos mantendo o patrimônio da minha mãe desde o ano  passado pagando IPTU, Água, Condomínio e demais despesas que não se pode cancelar, e o meu lindo, amado, inteligente e sensual marido se ofereceu para ter um segundo emprego, só pra que eu não me preocupasse com as nossas finanças.

Por que o meu marido pegaria um segundo emprego se o "patrão" da minha ex-irmã não pode pegar nem um primeiro emprego????????
Não, de jeito nenhum. Eu não vou deixar mais tempo de trabalho e menos tempo livre pra nós dois nos curtirmos. Nós vamos nos curtir numa boa e a minha ex-irmã que pague a parte dela na manutenção do patrimônio, afinal, é pra isso que serve ela ter mentido lá no IPE.

Enquanto isso, a minha ex-irmã vai piorando seu transtorno de dupla personalidade.
Ela diz por aí que é feliz, que ama o Bruno, que tá realizada como professora, que se sente linda, mas pra mim ela fala que se sente um lixo, que a vida dela é uma merda, que morar com os pais do Bruno é o inferno, que sempre tem briga na hora das refeições, que ela não pode viver pq tem que preparar aula...

Vai saber no que acreditar!

É triste, mas agora é oficial: eu não tenho mais pai, nem mãe, nem irmãos.
Pessoas mortas estão perdoadas. Pessoas duas-caras podem viver ou morrer, tô nem aí.

terça-feira, 6 de março de 2012

MIAU DOTE


Se você tem uma vida interessante o suficiente para acomodar nela um ser vivo cheio de amor pra dar, entre em contato comigo e leve uma dessas fofurinhas pra casa.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Ah, eu tô triste...

Também tô feliz, mas a tristeza tá maior.
Saber que eu fiz tudo o que se podia fazer é um grande alívio... mas não alivia o suficiente.
Minha mãe teve um câncer ninja, que cresceu mais rápido que dívida de cartão de crédito.
Isso deixa qualquer um triste.

Agora vem aquelas partes de tirar o celular dela da agenda, mexer nas contas de água, luz, telefone, ver o que se faz em relação aos clubes que ela era sócia. Essas são as partes de terminar a existência dela pra quem nem sabia que ela existia.

É a pior parte. E eu tô sozinha pra isso.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Oi, é a Lúcia - filha da Sônia!

Oi, tudo bem?
Eu preferiria ligar para os amigos da minha mãe e conversar com todos, mas é um pouco difícil localizar os telefones de algumas pessoas e também é difícil que eu consiga falar com cada uma sem chorar.

Eu tenho lágrimas de alegria por tudo que a minha mãe me ensinou, pelo tanto que ela me amou, mas infelizmente eu estou hoje na fase das lágrimas de susto, saudade e tristeza pelo passamento dela.

Sônia do Amaral Russo é a minha mãe.
Para alguns de vocês ela foi amiga, professora ou colega. Acho difícil que tenha alguma pessoa aqui nessa lista de e-mails que ela não tenha conhecido pessoalmente, pois eu reconheço quase todos os nomes de vocês e existem vários nomes que eu também associo à memória de um rosto!

Enfim, venho por mim e pela minha irmã, Sílvia, comunicar que a nossa mãe, Sônia, faleceu na noite de 23 de Fevereiro, essa última quinta-feira. Ela estava em tratamento para câncer de mama, um tipo bem raro e agressivo, que foi diagosticado em meados do ano passado. Ela teve a sua fase de depressão e de desespero, mas a Sílvia e eu estivemos com ela e ajudamos a nossa mãe a superar a doença, recuperar esperança e a alegria de viver!

O espírito da nossa mãe atingiu a cura totalmente, e ela confiou que tudo ficaria bem outra vez. E tudo ficou bem mesmo! Nos últimos meses ela esteve se recuperando em casa, levando uma vida normal. Ela recobrou as forças, voltou a sair de casa para ver os amigo, fez muita arte (em todos os sentidos!) e ainda realizou o desejo de adotar duas gatinhas - que ela sempre quis, mas esperou sair do apartamento para ter gatinhos em uma casa. ^^

Nas últimas semanas ela estava tão forte que já podia até dirigir de novo! Então pudemos fazer passeios maiores, ir na seasa buscar mais das plantinhas que ela tanto gostava de cuidar, comparecer aos aniversários dos amigos... tudo isso com ELA no comando da situação! Foi muito legal :)

Nos últimos dias ela estava feliz, tranquila, cheia de vida! Encontrou amigas no sábado, nos recebeu no domingo para cozinharmos juntas, chamou o genro para ajudar pintar o quarto de rosa na segunda-feira, fez trabalho voluntário de entretenimento de idosos na terça-feira. Na quarta-feira ela teve todos esses assuntos pra falar com a Erica, a moça que nós contratamos para acompanhar a nossa mãe durante a semana, e ainda cumpriu a agenda normal de cuidar das gatinhas, das plantinhas, da casa que ela tanto curtia. Com tanta energia assim, nós achamos normal que ela só quisesse descansar na quinta-feira. Ela passou o dia calma, descansando, e foi dormir pacificamente, feliz, realizada, com a certeza de que iria acordar de novo com toda aquela energia para seguir em frente!

O sétimo dia vai concidir com meu aniversário.
Eu considero que o presente dela para mim foi justamente se recuperar tanto antes de partir, me deixando com a mesma imagem de alegria que eu vi pela minha vida inteira. Ninguém esperava que ela se recuperasse de um câncer tão agressivo - os médicos aceditavam que ela não sairia do hospital em 2011, mas ela saiu. A Sílvia e eu somos muito gratas pela jornada da nossa mãe, e gostaríamos muito que os amigos nos pudessem trazer fotos, lembranças e histórias sobre ela no dia 1º de março, quando vamos novamente orar e celebrar pela vida dela na Igreja Nossa Senhora de Fátima.

Um grande abraço a todos!
enviado a vocês por Lúcia, pela Sílvia também :)

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No Dia Em Que Eu Morrer 
Nei Van Soria

No dia em que eu morrer não me mande flores
No dia em que eu morrer não me peça favores
No dia em que eu morrer não morra de amores
No dia em que eu morrer não fique com pena de mim
Pois não vou mais estar por aqui para sofrer

Eu sei que essa canção parece um pouco triste
Mas tudo na vida tem uma razão você acreditando ou não
Pode parecer tudo tão cruel, mas não é apenas com você

O que eu posso dizer para um amigo
Que perdeu um grande amigo... simplesmente aconteceu
Não haverá culpados nem porques no dia em que eu morrer

No dia em que eu morrer mesmo só estando o meu corpo aqui
Vou te fazer lembrar de tudo que fizemos
Dos dias tão felizes que nós dois tivemos
No dia em que eu morrer não lembre do tempo que perdemos
Lembre do tempo que eu te dei
No dia em que eu morrer

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Eu sempre aprendi bastante com a TV.

Uma das coisas que eu lembro de ter aprendido mais cedo é mentir com "o rabo do lobo". Foi o Walter Lantz quem me ensinou a usar um fato incontestavelmente verdadeiro como evidência de uma grande mentira. O exemplo dele foi que o lobo, bêbado, prendeu seu rabo na porta e teve que amputá-lo. O lobo, querendo convencer seus sobrinho de como os porquinhos são maus, contou uma longa e horripilante história de como os porquinhos lhe cortaram o rabo. Mostrar o cotoco aos sobrinhos foi a "prova" da história do lobo.

Por eu saber a técnica do rabo do lobo, e por eu ser bem inteirada à realidade, é muito comum que eu enxergue os mentirosos além de suas histórias. Isso é bom pra mim, pois eu não fico vulnerável, mas também é péssimo porque eu não tenho pares. Resultado: só eu sei a merda que vai dar, mas a única coisa concreta que eu posso fazer é dizer, depois da merda feita, o famoso "eu avisei". Tento completar com um "vê se me leva em consideração da próxima vez", mas é inútil.

David Shore é quem tem me ensinado com a TV hoje em dia. Ele explica por que as pessoas se recusam a acreditar em mim e por que o "eu avisei" me faz parecer a dona da razão, de um jeito que as pessoas sentem só medo ou raiva ao invés de saber que eu tinha fundamento pra antecipar os acontecimentos.

Aprender com o David Shore é bom, porque deixa o mundo um pouco mais compreensível. Mas também é um saco, pois mais uma vez o meu par é um personagem - alguém que teve o seu universo todo pensado antecipadamente, o que não ocorre no mundo real.

Eu queria que pelo menos uma vez, só uma única vez, eu visse na minha frente, em carne e osso, alguém que pensasse em tempo real - igual a mim.